
Não parece, mas isto é uma auto crítica sincera. O olhar dirigido para dentro... magoa. Não há ardil que me convença de que determinada crítica é desnecessária, má, grosseira, porque eu mesma a faço e sei que a verdade me fala. Com a língua entorpecida pelo frio. Gela-me, também. E há alturas em que me escondo. Hiberno. Mas normalmente encaro e deixo doer.
Mudar. Eu quero querer mudar: não serve. Nada menos do que EU QUERO serve. Ficava bonito um pretérito imperfeito. Um mais-que-perfeito... chegaria a ser literário. Mas seriam ambos frouxos e ineficazes, e sob o olhar de través que uso quando quero ver seja o que for - porque tenho uma excelente visão periférica! - dobrar-me-ia imediatamente, porque não há maior vergonha do que usar flexões verbais para nos enganarmos a nosso respeito.
Não quero mudar. Não quero. Gosto tanto de mim... e isso é tão patético. Não sei porque será que continuo a gostar tanto de mim, é estranho que não me farte! Mas não. Gosto de ser teimosa e nua. Tenho um especial carinho pelos meus medos, e pela forma como lhes toco, desprotegida. E de como, às vezes, me estoiro sozinha e nunca tenho a culpa nem posso, a ninguém, dizer: tens tu!
E quando sou má - e não há quem me conheça por dentro sem saber como por vezes posso ser malvada, pois a primeira coisa que faço é mostrar-lhe os adereços soltos, raramente usados e que jamais me envolvem realmente... - e se estoira alguém porque o não quis ver, gosto da inocência e da verdade com que minto e digo: a culpa não é tua... E de como sei ser consoladora.
© Fata Morgana