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23 de setembro de 2008


Amamos mais o nosso próprio desejo do que o ser desejado.

Vivemos tempestades de poder e sacrifício.
Imensos, ínfimos dentro de nós, suplantamos o EU e tornamo-nos absolutos, iguais à mãe-terra, ao pai-mundo. Maravilha que dói! Magoa a centelha humana que fica e se encolhe dentro de nós, mas só sentimos que dói quando voltamos.

Quando voltamos estamos sempre a sós com essa dor, que se torna avassaladora, porque o resto era uma identidade momentânea, animada pelo desejo. Mas ela renasce. Renasce assim que desejarmos e nos transformarmos no guerreiro poderoso e audaz. E na luta, travada até às últimas consequências, sem tréguas, pouco importa que sejamos o vencedor, que conquista, ou o vencido, que se entrega à rendição. Não é gloriosa a primeira, e a segunda doce? Não são deliciosas, ambas? Oh, sim... sim! Por isso amamos aquele que vencemos e também o que nos vence.

Há sempre sangue no amor quando a espada é o desejo e o espírito um guerreiro.

Eu procuro sempre acertar no coração, exactamente porque a mim só um golpe em pleno coração vence. Isso muda tudo e já não quero guerrear, mas apenas contemplar, ser contemplada; conhecer, ser conhecida. Coisas que se cantam em silêncio, ou dançam com gestos de rosácea, e se cravam muito, muito fundo. Para lá do desejo, mas com ele...


© Fata Morgana

14 comentários:

Daniel Aladiah disse...

Querida Fata
Gosto das imagens do guerreiro e, em especial, do golpe que desejas fatal em pleno coração, deixando que o sangue se misture com o amor feito espada, trespassando-te para que possas fazer a passagem para a eternidade. Sempre amo para sempre todos aquelas que amo, independentemente de ter ou não um amor em exercício, que me contempla e eu contemplo, como se foramos templos de adoração, até que o chamamento da peregrinação nos conduza os passos para outro "local sagrado".
E se eu olhasse para o lado e te visse no caminho da "Terra Santa", saberia que cruz trarias gravada no peito...
Um beijo
Daniel

Blood Tears disse...

Da nossa alma nascem e brotam a dor, a mágoa, o desejo... Numa eterna batalha que não tem vencidos ou vencedores, saboreamos o princípio, o meio e o fim... O coração sangra, mas se não sangrar e a espada não se enterrar bem fundo, então não amou, não desejou, não viveu....

Uma doce e bela imagem pintada com desejo....

Blood Kisses

Morgana La Folle disse...

Daniel,
claro que todos "carregamos uma cruz"... Mas parece-me que tu imaginas que a minha é uma diferente da que é :)

Eu estou aqui:

"Isso muda tudo e já não quero guerrear, mas apenas contemplar, ser contemplada; conhecer, ser conhecida. Coisas que se cantam em silêncio, ou dançam com gestos de rosácea, e se cravam muito, muito fundo. Para lá do desejo, mas com ele..."

:)


Beijo.

Morgana La Folle disse...

Blood,

sim, eu saboreio tudo. Não desgosto das coisas ácidas; e o amargo tantas vezes faz bem!

As doçuras não são o meu forte. Há um travo delicioso de que gosto particularmente mas não consigo dar-lhe um nome :))

(oh é do Amor, mas não sei descrever-te a que me sabe... Doce não é de certeza)

Blood kisses.

bat_trash disse...

Essa é uma dor que não se extirpa e temos que aprender a conviver com ela.
Amamos mais o nosso próprio desejo do que o ser desejado. Que aforismo! Como me identifico com esta frase, pois sei que toda vez que desejamos o outro, esse desejo é a projeção dos nossos anseios e sonhos.
No momento não me sinto conhecedora do assunto, mas acredito que o amor requer coragem, além do golpe em pleno coração é uma batalha que travamos mais com nós mesmos do que com o outro.
Bat Kiss.

fairy_morgaine disse...

para lá do desejo para lá do mundo visível.
beijo-te minha fata

biazinha disse...

Passei aqui pra te deixar um beijo grande.*

Morgana La Folle disse...

Bat-Trash,

Amor que não dói não presta ;)

É verdade que projectamos os nossos anseios e sonhos naquele que desejamos, mas o que conta, para mim, é o "porquê" aquele e não outro...
Comigo é nesse porquê que reside algo fundo de meu em que não estou a pensar, que é essência e pode nem ser consciente. Eu acredito nos mistérios do amor.

Bat kiss.

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Fairy_Morgaine,

No lugar onde somos irmãs! :)

Beijo*

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Biazinha,

e aqui fica ele retribuído com carinho, minha querida mafarrica.

*

mariazinha disse...

as coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudade
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir...


veio-me, de repente, à memória, esta letra de um fado.

:)
beijo grande*

Lord of Erewhon disse...

Deveríamos ser ensinados para o desejo e para a morte, mais, para o desejo como se fosse a morte.

Dark kiss.

MagnetikMoon disse...

Lanças e vasilhas numa dança ritual; o estertor animalesco que sacraliza...

Magnetikiss;)

Morgana La Folle disse...

Mariazinha,

Passarinho da Ribeira
se não és meu inimigo
empresta-me as tuas asas
deixa-me voar contigo


:)

Eu ando com este na cabeça, que também é um fado, mas de Coimbra.

Oh, quem me dera ter asas!

Beijo*


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Lord of Erewhon,

Podemos ser ensinados a racionalizar o desejo. É isso? (Não estou certa de ter entendido).

O desejo mata e dá vida. Sempre associei desejo e morte.
Mas quando desejo quem amo - desejo sempre :))) - é como no último parágrafo do texto.
A entrega ao ser desejado E amado é uma coisa muito diferente, muito maior. Por ela, prescindo de satisfazer desejos fugazes, estes perdem o interesse.
Morro sempre que me dou àquele que amo, sempre que ele a mim se dá. E não quero morrer com mais ninguém, porque me faria sentir muito só.

Dark kiss.


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Magnetikmoon,

cruza-se o sacro com o profano. Como sempre, em quase todos os rituais.

Vanessa disse...

hoje (mais que nunca) queria ser essa guerreira. e ficar bem, a sós com essa dor avassaladora. para conseguir amar eternamente aqueles que foram vencidos pela morte.

beijinho*

Morgana La Folle disse...

Querida Vanessa,
sê, então. A força está em ti :)

Beijo*